A quem serve uma Esquerda que defende a prostituição?

“A PROSTITUIÇÃO NÃO É A “PROFISSÃO MAIS ANTIGA DO MUNDO”, É SIM A FORMA DE ESCRAVIDÃO MAIS ANTIGA DO MUNDO IMPOSTA ÀS MULHERES.”

Feminismo com Classe

NÃO HÁ NADA MAIS CONTRADITÓRIO que ver pessoas, grupos e organizações que se dizem de esquerda apoiando a regulamentação da prostituição.

Um segmento que se diz embasar no materialismo dialético e lutar contra a exploração do Capital exigindo o reconhecimento do corpo humano como mercadoria de consumo. Ou seja, defendendo a mercantilização da vida.

A mercantilização da vida está no cerne da discussão sobre a luta de classes. E a esquerda marxista sabe que a luta de classes não é apenas de classes econômicas. É essa a questão central da escravidão, por exemplo.

Prostituição: a escravidão das mulheres

Pessoas negras eram listadas como mercadoria nos navios de escravagistas, figurando entre sacos de grãos, matéria-prima, quilos de tecidos e moedas. Eram vendidas e leiloadas em portos e feiras. Eram usadas como moedas de troca. Havia uma supremacia branca que oprimia a classe negra (ainda hoje), mercantilizando suas vidas em…

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A Nova Retaliação – 3. Imaginando um mundo sem gênero

O excelente blog A Nova Retaliação (do original: The New Backlash) é uma série de 16 textos que aborda de forma bem didática questões sobre sexo, gênero, feminismo, pessoas transgênero e pessoas transexuais.

Esta é a tradução do terceiro texto da série (do original: 3. Imagining a world without gender); aos poucos vou postar as traduções dos textos restantes.

Tradução dos textos anteriores:

A Nova Retaliação – 1. Introdução

A Nova Retaliação – 2. Sexo X gênero

Notas de tradução estarão entre chaves {}. Todo o resto, incluindo links (para outros textos em inglês), negrito e itálico, segue a formatação do texto original.


A Nova Retaliação

3. Imaginando um mundo sem gênero

sexo gênero correntes

Como seria um mundo sem gênero?

Primeiro, um resumo de como o gênero funciona numa sociedade com supremacia masculina (também conhecida como patriarcado):

Como gênero funciona

{Clique aqui para acessar a tabela acima em arquivo de texto}

Se as feministas conseguirem abolir o gênero:

Se gênero for abolido

{Clique aqui para acessar a tabela acima em arquivo de texto}

Algumas pessoas acham que se a gente abolir o gênero, todo mundo vai ser forçado a usar roupas bege e ter o cabelo raspado. Isso é porque essas pessoas confundem símbolos ou sinais de gênero (específicos de cada época e local) com a verdadeira hierarquia de gênero subjacente. Essas pessoas pensam no gênero como uma fantasia, e não como um sistema de relações de poder.

Num mundo sem gênero, todas as “coisas” da vida social humana ainda estariam disponíveis, o acesso a elas simplesmente não seria mais limitado pela capacidade reprodutiva aparente.

Num mundo sem gênero, os meninos teriam permissão pra usar vestidos (mas não seriam forçados) e as meninas teriam permissão pra evitar usar vestidos (mas não seriam forçadas). O mais importante, tanto meninas quanto meninos teriam permissão pra (mas não seriam forçados a) brincar com bonecas, subir em árvores, construir Legos, praticar esportes e entender de computadores, se essas atividades forem do seu interesse. Tanto meninas quanto meninos seriam responsáveis pelas atividades domésticas. Tanto meninas quanto meninos teriam permissão pra desenvolver qualidades de liderança e técnicas de cooperação. E nem meninas nem meninos seriam treinados pra se objetificar ou pra resolver seus problemas por meio de violência.

Pra um excelente exemplo de criação de filhos que resiste às restrições de gênero, eu recomendo esse ensaio revigorante do blog “Senso de Encantamento” : Criação de filhos com neutralidade de gênero, ou quando a sua filha quer um moicano, e esses dois sites: Deixem os brinquedos ser brinquedos e Homem versus Rosa.

Num mundo sem gênero, mulheres poderiam usar maquiagem e salto alto se escolherem, e homens também. Ambos também poderiam sair de cara lavada e tênis e ninguém se importaria. Mas o mais importante, num mundo sem gênero — um mundo que não assume a dominância dos machos e a submissão das fêmeas —, as feministas imaginam e trabalham por possibilidades pra as mulheres que vão muito além da liberdade de como se arrumar: igualdade de educação, oportunidades e salários; serviços gratuitos de contracepção e aborto por pedido; creches 24 h gratuitas; a normalização da independência legal e financeira; o fim de toda a discriminação contra lésbicas; e talvez o mais importante de tudo, a liberdade da violência masculina.

Agora, considere por que um mundo sem gênero é tão difícil pra gente imaginar. Um mundo sem gênero é um mundo sem privilégio masculino. Um mundo sem gênero poderia significar que os homens poderiam usar vestidos e maquiagem, sim. Um mundo sem gênero poderia significar que os homens poderiam chorar vendo filmes tristes e se abraçar em público! MAS — sem gênero, os homens não seriam mais o humano padrão, com as mulheres como sub-humanos não-homens, destinadas a servi-los. Sem gênero, homens não seriam perdoados pela violência que mantém as mulheres na linha. Sem gênero, as mulheres não seriam mais treinadas desde o nascimento pra acalmar os homens e colocar as nossas próprias necessidades e desejos por último. Sem gênero, os homens perderiam um mundo de babás, secretárias, empregadas domésticas, e prostitutas, todas aterrorizadas a diferentes graus de abnegação. Os homens — incluindo os homens ditos “libertários” — não vão desistir desse mundo sem uma briga.

Próximo texto: Pessoas transexuais (não são o problema){tradução disponível em breve!}.

Gênero é socializar meninos para que se tornem sadistas e meninas para que se tornem masoquistas

“Gênero é socializar meninos para que se tornem sadistas e meninas para que se tornem masoquistas. Não estou interessada em trocar esses papéis, estou interessada em abolir esses papéis.”

Fonte: este post, do blog Secretly Radical.

Para saber mais sobre o que é gênero e o que é sexo biológico, veja: A Nova Retaliação – 2. Sexo X gênero

Gênero, sátira e verdade

“Gênero: construção social e cultural baseada no sexo biológico, e a razão porque meninos são forçados a usar azul e meninas são violentamente descartadas e queimadas logo depois do nascimento. Apesar de as diferenças anatômicas que informam o conceito de gênero não possuírem nenhum efeito sobre a inteligência, habilidade, ou a presença ou ausência de qualquer valor social intrínseco, elas permanecem sendo a base de porque meninos são incentivados a brincar de índio e caubói, e meninas têm ácido jogado em seus rostos. Gênero também é, acreditam os sociólogos, responsável pela dificuldade de expressar sentimentos comum entre meninos, e pela propensão de meninas a terem seus genitais mutilados ou serem forçadas à escravidão sexual.”

Fonte: este post, citando este livro.

Para uma análise detalhada sobre o que é gênero e o que é sexo, veja: A Nova Retaliação – 2. Sexo X gênero

A Nova Retaliação – 2. Sexo X gênero

O excelente blog A Nova Retaliação (do original: The New Backlash) é uma série de 16 textos que aborda de forma bem didática questões sobre sexo, gênero, feminismo, pessoas transgênero e pessoas transexuais.

Esta é a tradução do segundo texto da série (do original: 2. Sex vs. gender); aos poucos vou postar as traduções dos textos restantes.

Tradução do texto anterior: A Nova Retaliação – 1. Introdução

Notas de tradução estarão entre chaves {}. Todo o resto, incluindo links (para outros textos em inglês), negrito e itálico, segue a formatação do texto original.


A Nova Retaliação

2. Sexo X gênero

Sexo = classe biológica baseada em potencial reprodutivo

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“Classe” significa que nós descrevemos um grande grupo de pessoas (neste caso, bilhões) a quem certas características biológicas se aplicam. Humanos são fêmea, macho, e uma pequena porcentagem de intersexo. Fêmeas humanas produzem óvulos. Machos humanos produzem espermatozoides. Uma pequena porcentagem tanto de machos quanto de fêmeas é infértil; no entanto, é por meio da fertilização do óvulo pelo espermatozoide que todos os embriões humanos vêm a existir. Consideração que a continuação de uma espécie é importante pra essa espécie, a reprodução sexuada é importante pra humanidade. Considerando que fêmeas humanas gestam fetos dentro de seus próprios corpos, a reprodução sexuada é muito importante para as mulheres.

Estas definições não são fóbicas ou expressam ódio contra ninguém:

dictionarydefs

mulher: fêmea humana adulta
homem: macho humano adulto
fêmea: referente ao sexo que tem a capacidade de gestar filhotes ou botar ovos, diferenciado biologicamente pela produção de gametas (óvulos) que podem ser fertilizados por gametas masculinos
macho: referente ao sexo que produz gametas, especialmente espermatozoides, com os quais uma fêmea pode ser fertilizada ou inseminada para produzir filhotes

Mais detalhes sobre a diferença entre machos e fêmeas em humanos:

Fêmea e macho

{Clique aqui para acessar a tabela acima em arquivo de texto}

Gênero: uma hierarquia opressiva, socialmente construída.

Produtor de espermatozoides = macho. Produtora de óvulos = fêmea. Isso é uma simples classificação biológica.

Macho = masculino/dominante. Fêmea = feminina/submissa. Isso é gênero, como a palavra é usada por pensadoras feministas.

Baseado na noção (sexista) de que o sexo determina a personalidade e que portanto deve determinar o papel social e o status, gênero é a ferramenta social pra naturalizar que as mulheres sejam dependentes dos homens, e assim garantir que homens tenham acesso ao trabalho emocional, sexual, doméstico e reprodutivo realizado pelas mulheres. É sobre poder, não sobre expressão individual. Opressão está sempre vinculada a extração de recursos.

socialização

A diferenciação entre masculino e feminino é indicada por nomes, pronomes, cores, brinquedos, roupas, estilos de cabelo, etc (de acordo com costumes da época e do local), mas, o mais importante, gênero é o encorajamento ou a punição, de forma sistemática, de certas características da personalidade humana, com base no sexo.

Gênero

{Clique aqui para acessar a tabela acima em arquivo de texto}

Por sinal, os hormônios femininos (supostamente) tornam as mulheres “muito emocionais”, portanto as nossas análises de gênero jamais poderiam ser úteis. (Sim, isso é sarcasmo. Leia sobre a Síndrome do Macho Irritado.)

Os hormônios masculinos (supostamente) tornam os homens “naturalmente agressivos”, o que é usado pra justificar a dominação social deles, mas a testosterona também é usada pra enquadrar a violência masculina não somente como perdoável mas também como inevitável. [Uma cultura de supremacia branca, no entanto, vai tratar qualquer violência cometida por homens de cor – negros/latinos/do oriente médio/etc – como imperdoável, por ser considerada uma ameaça à dominação por cor de pele.]

É claro que o papel da testosterona no comportamento é muito mais complicado do que uma mera relação de causa e efeito, e é mediado por estruturas sociais. Além disso, (surpreendentemente!) nós ainda nunca ouvimos ninguém em uma posição de poder proeminente sugerir a castração em massa como a cura pro que provavelmente é o nosso pior problema social, que é a violência masculina.

Voltando ao assunto. Porque as mulheres (supostamente) são fracas, excessivamente emocionais, submissas, incapazes de entender ou construir coisas, nós (supostamente) precisamos encontrar homens pra 1) nos defender (dos outros homens, que são naturalmente agressivos – que medida de proteção conveniente) e 2) prover as nossas necessidades materiais.

Claramente, nós mulheres somos capazes de tomar conta de nós mesmas. Mulheres das classes econômicas mais baixas sempre trabalharam, inclusive em trabalhos fisicamente exigentes. E não há nada na nossa “natureza” que impeça nós mulheres de nos organizar e/ou treinar o uso de armas que compensam a diferença de tamanho (sem contar o simples soco na virilha). É por isso que nós precisamos ser socializadas para a submissão e a dependência desde o nascimento.

Porque nós (supostamente) precisamos encontrar homens pra nos defender e sustentar, nós precisamos nos divulgar para a atenção masculina, e então criar um vínculo por meio de serviços emocionais, domésticos e sexuais, e não quebrar esse vínculo sendo arrogantes.

Porque nós (supostamente) precisamos sempre manter o nosso valor para os homens pra ficar em segurança, nós precisamos sempre enxergar nós mesmas pelo “olhar masculino” ao invés do nosso próprio olhar. E porque nós precisamos continuar atraentes pros homens e porque os homens (supostamente) são naturalmente agressivos, nós podemos muito bem ser estupradas e o mundo é assim mesmo.

Porque as fêmeas já fazem o trabalho de gestar um feto, parir um bebê, e amamentar uma criança pequena, nós (supostamente) também precisamos ser responsáveis por todo o resto do trabalho de criar filhos. (Alguém poderia pensar que dividir o trabalho faz mais sentido e é mais justo.)

E claramente, diante do enorme poder de fazer crescer um outro ser humano dentro de nós, supostamente nós também somos obrigadas a engolir a ridícula ideia de inveja do pênis, talvez a inversão mais descarada em todo o patriarcado.

Mas porque nós fêmeas (supostamente) somos *naturalmente * empáticas e dedicadas aos outros, esperam que a gente engula tudo isso e simplesmente resgate todo mundo com o nosso amooooooor. Porque nós nascemos pra isso.

[Nós não nascemos pra isso – nós fomos treinadas pra isso – se você ainda não leu, por favor leia Aprendendo a Sobreviver: Terror Sexual, a Violência dos Homens e as Vidas das Mulheres]

Somente invisibilizando o trabalho emocional, sexual, doméstico e reprodutivo realizado pelas mulheres para os homens – considerando que esse trabalho seja “da nossa natureza” – é que os homens conseguem manter a sua autoimagem ilusória como “independentes”. Na realidade nós temos um mundo em que as mulheres são mantidas como dependentes dos homens e portanto devem servi-los; mas nos vendem a história de que as mulheres são flores delicadas que os homens são gentis o suficiente pra sustentar, uma mentira que é vendida pra garotinhas nas histórias de princesas, exibidas tão intensamente no corredor rosa de brinquedos, logo ao lado de todas as versões miniaturizadas e plastificadas dos utensílios domésticos, uma sobreposição nada irônica da realeza mimada (como nós vamos descrever você) e da classe servil (como você realmente vai viver).

Esse tipo de inversão descarada é uma ferramenta comum do patriarcado da supremacia branca, e também pode ser vista quando mulheres de cor – negras/latinas/etc – , que, seja por não encontrarem trabalho ou por trabalharem longas jornadas com salários baixos, vivem na pobreza mas são descritas como “rainhas dos auxílios do governo”.)

Se não ficou claro a partir do texto acima, gênero não é um binário de iguais, é uma hierarquia. Por milênios as mulheres foram propriedade legal dos homens. Globalmente, as mulheres ainda são submetidos a mutilação genital feminina, casamento infantil, queima de noivas e tráfico sexual. As mulheres mais sortudas são meramente submetidas a uma vida inteira de discriminação na família, escola e trabalho; atendimento de saúde sexista; assédio constante na rua; misoginia online; lembretes diários de que os homens são pessoas e as mulheres são o resto; diferença salarial persistente; ataques legislativos à autonomia corporal; intimidação e violência física – tudo isso tende a piorar dependendo da raça/etnia e da classe econômica – e tudo isso tem o objetivo de nos manter no nosso (suposto) lugar.

Próximo texto: Imaginando um mundo sem gênero {tradução disponível em breve AQUI!}.

A Nova Retaliação – 1. Introdução

O excelente blog A Nova Retaliação (do original: The New Backlash) é uma série de 16 textos que aborda de forma bem didática questões sobre sexo, gênero, feminismo, pessoas transgênero e pessoas transexuais.

Esta é a tradução do primeiro texto da série; aos poucos vou postar as traduções dos textos restantes (link no fim do post).

Notas de tradução estarão entre chaves {}. Todo o resto, incluindo links (para outros textos em inglês), negrito e itálico, segue a formatação do texto original.


A Nova Retaliação

1. Introdução

“A linguagem tem usos políticos, e linguagem obscura é sempre útil para aqueles com poder. Orwell apontou isso em seus livros 1984 e A Revolução dos Bichos, se referindo à necessidade de confundir os outros pelo uso de terminologia contraditória ou pelo uso de termos tão vagos que se tornam sem sentido. Políticos e burocratas se divertem com obscurantismo e uma forma poderosa de desafiar isso é a clareza absoluta da linguagem. O obscurantismo leva à passividade política e ao fatalismo social. O feminismo precisa se manter sempre atento a essas estratégias e o uso de linguagem clara, direta e de contexto específico é o primeiro passo pra verdadeiramente transformar a sociedade.” — Susan Hawthorne

Eu sou mulher e feminista. Eu apoio totalmente os direitos humanos de pessoas transexuais. (Eu apoio totalmente os direitos humanos de todos os humanos!) No entanto, a política identitária “transgênero” não é sobre os direitos humanos de pessoas transexuais. A política identitária transgênero é sobre homens utilizando o sofrimento de pessoas transexuais como arma pra destruir os limites das mulheres e enfraquecer a análise feminista básica.

De acordo com a política identitária transgênero:

payattention

{Texto da imagem} Se qualquer um desses homens – todos com cromossomos XY, e pênis e testículos plenamente funcionais – disser que ele “se sente mulher”, então ele é fêmea e como tal tem o direito a proteção legal.

Se você questionar isso de qualquer forma, você é uma intolerante fanática que deve ser silenciada.

{Legenda da imagem} Isso não é um exagero ou uma representação equivocada.
Eu vou apresentar provas por meio de imagens e links neste blog.

Muitas mulheres trans {mulheres transexuais, ou seja, pessoas do sexo masculino que passaram pelo processo de transição social e transição médica por meio de cirurgias e/ou tratamentos hormonais} protestam esse absurdo, que apaga a complexidade das suas experiências tanto quanto apaga a complexidade das experiências das mulheres. Vou deixar que falem por si – aqui estão algumas vozes de discordância corajosas e honestas:

Gender Minefield
HBSer Princess
Jaqueline Andrews
Just Jennifer
Miranda Yardley
Miriam Afloat
Neopythia
Notes from the T-side
Snowflake Especial
Transy Wansy
Transavant

Os ativistas da política identitária transgênero trabalham pra vilipendiar e silenciar essas mulheres trans {mulheres transexuais}, assim como trabalham pra pra vilipendiar e silenciar qualquer feminista que ouse questionar a ideia de que ser mulher é um sentimento que pessoas do sexo masculino têm – e os ativistas da política identitária transgênero são surpreendentemente poderosos. Portanto, nos Estados Unidos, no ano de 2015, num clima político que inclui ataques à liberdade reprodutiva vindos da Direita, crescente pornificação de meninas e crianças vinda da Esquerda, e crescentes níveis de violência contra meninas e mulheres vindos de todas as direções, eu tenho medo de expressar publicamente a minha opinião de que a biologia e a socialização femininas importam – porque essa opinião inevitavelmente será enquadrada como “transfóbica”, e uma acusação de transfobia na esquerda pode resultar em expulsão.

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Coisas que eu tenho tido medo de dizer em público, ou na internet sob meu próprio nome:

  • Humanos que produzem óvulos são fêmeas, humanos que produzem espermatozoides são machos.
  • O sexismo ainda existe, e sexismo é baseado em sexo:
    • O privilégio masculino é atribuído ao sistema reprodutor masculino.
    • A opressão feminina é atribuída ao sistema reprodutor feminino.
  • O sexismo não é apagado por outros eixos de opressão/privilégio.
  • Não se deve lidar com o sexismo fingindo que sexo não existe.
  • Pênis nunca é um órgão feminino.
  • Homens não engravidam.
  • Meninas são socializadas de forma diferente dos meninos.
  • Nem a auto-subjugação nem a auto-objetificação pro prazer masculino são características inatas das fêmeas.
  • Sexo não determina personalidade, e personalidade não determina sexo.
  • Fêmeas têm direito a espaços exclusivos para fêmeas.
  • Fêmeas dizendo não para pênis não é discurso de ódio.
  • Fêmeas não são responsáveis pela violência masculina.
  • Fêmeas não são responsáveis por priorizar os machos vítimas de violência masculina em detrimento das fêmeas vítimas de violência masculina.
  • Transar não é um direito masculino.
  • Lésbicas não são intolerantes fanáticas por rejeitarem pênis.
  • Crianças em não-conformidade de gênero não devem ser forçadas a fingir que são do sexo oposto e não devem ser encaminhadas pra clínicas pra serem esterilizadas.

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Muitas pessoas de esquerda bem-intencionadas parecem estar totalmente desatentas ou mal-informadas sobre essa situação. Eu fiz esse blog pra essas pessoas.

Bom, o diálogo sobre as questões “transgênero” é denso e confuso e emocional e muitas vezes descaradamente abusivo. Os ativistas da política identitária transgênero ofuscam essas questões de propósito, mas nós feministas também podemos falhar em nos expressar de forma clara quando nós 1) nos baseamos em décadas de teoria que a maioria das pessoas não leu e/ou 2) nos sentimos na defensiva por causa dos infinitos ataques dos antifeministas pra nos vilipendiar/silenciar.

Então, primeiro, um esclarecimento da minha parte: por muitas décadas, pensadoras feministas têm usado a palavra gênero pra referir às expectativas sociais e psicológicas forçadas a homens e mulheres, também conhecidas como esteriótipos sexuais ou papéis sexuais. No entanto, feministas e pró-feministas fora dos círculos acadêmicos podem usar a palavra gênero com o significado “categoria biológica de macho ou fêmea” (pra diferenciar do ato sexual) – e isso é compreensível porque nós precisamos de palavras pra todas essas coisas. No entanto, pra piorar a confusão, os ativistas da política identitária transgênero usam o termo gênero ou identidade de gênero pra se referir a um sentimento interno, inato mas indefinível, que se sobrepõe e inclusive determina o sexo biológico. Ao discutir gênero, sempre fique alerta às múltiplas possíveis definições do termo, e peça esclarecimentos quando necessário.

Em cada página deste blog, eu vou tentar descomplicar conceitos complexos, examinar premissas não ditas, dar exemplos, e linkar outras fontes, pra iluminar o que realmente está acontecendo sob a bandeira (intencionalmente enganadora) do “ativismo transgênero”. Espero que você leia cada página, em ordem, com uma mente aberta.

Vamos começar: Uma explicação aprofundada sobre sexo X gênero {tradução disponível em breve AQUI!}